A Mulher e a Maçonaria

Falar sobre a mulher dentro do universo maçônico sempre foi controverso. Porém, o que devemos compreender é que a mulher é e sempre foi parte fundamental, não apenas na história da maçonaria, como também, representa uma das partes da construção do Templo Sagrado.
Revirando o baú da História Antiga, podemos observar o quão importante era o papel da mulher na sociedade. Ao lermos a gênese bíblica: “E Deus passou a criar o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gênesis 1:27). Notamos que é dito que “Deus” ao separar e dar forma ao Universo, onde tudo era uma coisa só, e os anjos eram andrógenos, separou a matéria em duas partes, feminino e masculino, onde um seria o complemento do outro, e assim ao se complementarem criariam vida e perpetuariam a espécie. 
Ainda na História Antiga, (Egito, Grécia, Babilônia, Mesopotâmia) onde a Maçonaria buscou e fundamentou as bases de seus mistérios, encontramos homens e mulheres sendo iniciados nos grandes Templos e passando pelas mesmas provas. Nos grandes mistérios, as sacerdotisas eram preparadas para iniciar o homem nos augustos mistérios.
Ainda assim, existem aqueles que afirmam que a mulher não poderia fazer parte da Maçonaria, pois não havia nenhuma mulher entre os apóstolos de Jesus, o que é um argumento falho, visto que com o avanço das pesquisas históricas foi encontrado o livro de Maria Madalena (que foi escondido por muito tempo) e também naquele período haviam muitas mulheres dedicadas às artes da ciência e a pregação. Também àqueles que dizem que mulher não sabe guardar segredo, um grande argumento da Igreja durante Idade Média onde as mulheres que não se submetiam e redimiam perante o clero eram condenadas por bruxaria e chamadas de seguidoras de Eva.
Poderíamos encontrar ainda um leque infinito de documentos, textos, argumentos acerca do papel da mulher no mundo através dos tempos e de sua posição nas escolas Iniciáticas, mas voltamos nossa atenção do porque há tanto preconceitos e restrições que se contrapõe a mulher na Ordem.
As restrições de mulheres na maçonaria são modernas. Em 1350, com um documento de nome Freemason, de um ato parlamentar, regulamentava a profissão de pedreiro sem fazer nenhuma referência de proibição as mulheres também de exercerem o tal cargo.
Em 1390 vem o Manuscrito Régio ou Manuscrito de Halliwell, um poema com 794 versos onde encontramos vestígios da presença feminina, que nos diz o seguinte: “Que nenhum mestre suplante o outro, se não que procedam entre si como Irmão e Irmã” (versos 203 e 204). E ainda no poema nos versos 351 e 352, nos dizem: “Amavelmente servimo-nos a todos, como se fôssemos Irmã e Irmão.” Em um outro documento de 1440 , Manuscrito de Watson, nada expressa contra o ingresso de mulheres.
Em uma Assembleia Geral realizada em dezembro de 1663, em Londres, no qual o conde de Santo Albano foi eleito Grão-Mestre, em seu pronunciamento ele não faz nenhuma referência ás mulheres, apenas consta que : “Ninguém seria admitido na Confraria que não fosse de corpo, de nascimento honrado, de boa reputação e submissão ás Leis do país.”
Após haver passado o período Inquisitório, onde as mulheres já estavam mais em segundo plano na sociedade, surgiu o primeiro documento escrito com a proibição. No Livro das Constituições, publicado em 1723, por James Anderson, presbítero Anglicano (tudo indica que ele tinha horror á mulheres) e Primeiro Grande Vigilante da Grande Loja de Londres. Diz que: ”As pessoas admitidas a fazer parte de uma Loja, devem ser boas, sinceras, livres, de idade madura; não são admitidos escravos, mulheres, pessoas imorais e escandalosas, mas exclusivamente as que gozem de boa reputação”(Landmark 18). Esta proibição após escrita, foi compilada por Mackey em sua enciclopédia, os Landmarks.
Mesmo sabendo que a mulher naquele período não gozava de direitos políticos, ainda assim não existem motivos concretos para tal proibição. O curioso é que neste período a Maçonaria passava de Operativa para Especulativa, ou seja, fato que deveria contribuir para o fim de todo o tipo de preconceito. Notemos ainda que o mesmo artigo que proíbe mulheres proíbem negros, escravos, deficientes físicos. Nos dias de hoje não existem mais escravos, a maioria das Lojas é aberta a pessoas mais humildes e de pouco recursos. Então para que ignorarmos o fato da mulher ser maçom, e continuarmos com os olhos vendados e ignorarmos uma história tão antiga?
Na França em 1730 começou o movimento das Lojas de Adoção para mulheres que se estendeu á Alemanha e também na Itália. Em 1774, o Grande Oriente da França criou um novo rito de Adoção. Em 1786, o conde de Cagliostro fundou na França a Loja Mater Sabedoria Triunfante do Rito da Maçonaria Egípcia para homens e mulheres. Já em 1893, o dr. Georges Martim junto á sua esposa fundaram a Ordem Maçônica Mista Internacional,
Poderia citar infinitas fontes e histórias de grandes nomes que trabalharam por um mundo de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, que sabiam que o universo só pode ganhar movimento quando as duas forças se tornam UMA.
A Loja Maçônica é a representação perfeita do Universo, e dentro das leis divinas o homem e a mulher são duas colunas perfeitas, que quando juntas, geram a vida e o movimento.
Que nossa caminhada seja de amor, de sabedoria, de luz e de beleza. Tiremos as vendas e os véus que foram nos colocados pela cultura e pela sociedade, e que assim possamos enxergar o mundo como ele realmente é.

De Barbara Rocha.'.
Via Maçonaria Feminina